Documentários

sábado, 15 de janeiro de 2011

O Gênio Das Multidões



o que existe de falsidade, ódio, violência e absurdo na
pessoa mediana é suficiente para abastecer qualquer
exército em qualquer dia

e os melhores no assassinato são aqueles que pregam contra
ele
e os melhores no ódio são aqueles que pregam o amor
e os melhores na guerra por fim são aqueles que pregam a paz

aqueles que pregam deus, precisam de deus
aqueles que pregam a paz não têm paz
aqueles que pregam o amor não têm amor

cuidado com os pregadores
cuidado com os sabe-tudo
cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros
cuidado com aqueles que amam ou detestam a pobreza
ou têm orgulho dela
cuidado com aqueles que elogiam facilmente
porque precisam de elogios em troca
cuidado com aqueles que censuram facilmente
porque têm medo do que não conhecem
cuidado com aqueles que sempre procuram multidões
porque sozinhos não são nada
cuidado com o homem mediano, com a mulher mediana
cuidado com seu amor, seu amor é mediano
busca o mediano

mas existe gênio em seu ódio
há gênio suficiente em seu ódio para te matar
para matar qualquer um
não desejando a solidão
não entendendo a solidão
eles vão tentar destruir qualquer coisa
que seja diferente das que conhece.
não sendo capazes de criar arte
eles não entenderão arte
eles irão considerar seu fracasso como criadores
apenas como uma falha do mundo
não sendo capazes de amar completamente
eles acharão que o seu amor é incompleto
e então eles lhe odiarão
e seu ódio será perfeito

como o brilho de um diamante
como uma faca
como uma montanha
como um tigre
como cicuta

sua mais perfeita arte. 




Poema: Bukowski
Foto: Tatolino



sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A morte

A morte vem de longe
Do fundo dos céus
Vem para os meus olhos
Virá para os teus
Desce das estrelas
Das brancas estrelas
As loucas estrelas
Trânsfugas de Deus
Chega impressentida
Nunca inesperada
Ela que é na vida
A grande esperada!
A desesperada
Do amor fraticida
Dos homens, ai! dos homens
Que matam a morte
Por medo da vida

Sir. Vinicius de Moraes (Nova antologia poética)
Imagem: http://pedrosoart.blogspot.com/

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Tax na querência de aderência

Composição em decomposição, essa é a situação
quem tá no topo tá sorrindo num quer mudar de posição
revolução é uma evolução, levanta a mão
quem tá disposto a morrer pela emancipação dessa população
vim contestar as regras, iluminar almas cegas
desmentir o que tu pregas, te conduzir às trevas
ninguém vence sozinho então nós temos que lutar
se juntar pra apavorar, vamos provar, pode testar
eu vejo em vocês a palidez específica dos mortos
denegrindo, digerindo cadáveres como os porcos
famosa ância da ganância que tem força atômica
é a relutância que te alcança e te deixa atônita
a escuridão do seu espírito faz o corpo ter espasmos
inexplicáveis, desejáveis e complexos orgasmos
idéias são infinitas como a fé dos desesperados
a nossa fome e a nossa morte os resultados esperados
são invisíveis e acessíveis cativeiros financeiros
na era dos genocídios os governantes são os coveiros
dos portões do inferno esses pilantras são os porteiros
palavras podem ser fatáis como alguns tiros de morteiros
então não finja delicadeza, sua dúvida aumenta a minha certeza
então não finja ternura, o tempo passa e desintegra a minha fissura



Texto: O estorvo
Imagem: ?

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

distraidos venceremos...





Faça os gestos certos,
o destino vai ser teu aliado,
ouço uma voz dizendo
do fundo do passado.
Hoje não faço nada direito,
que é preciso muito peito
pra fazer tudo de qualquer jeito.
Ai do acaso,
se não ficar do meu lado.



Prazer/ da pura percepção/ os sentidos/ sejam a crítica/ da razão


Leminski


mais poemas aqui> Leminski



foto: Guilha

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

sick society



Tudo o que era sólido se desmancha no ar...


pintura: Dali






O capital é trabalho morto, um vampiro que só sobrevive sugando trabalho vivo.




Marx.


Vês! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!


Acostuma-te à lama que te espera!

O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.


Toma um fósforo. Acende teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.


Se a alguém causa inda pena a tua chaga,

Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!


                                                  Augusto do Anjos
                                                  Quadro: Magritte